A estrutura a termo brasileira combina Selic alta na ponta curta e um prêmio fiscal expressivo na ponta longa. Os juros reais implícitos nas NTN-B estão perto de 7%, nível que remunera o risco de uma trajetória de dívida ascendente mais do que a inflação esperada.
O que a curva preça.
A tese: a inclinação da curva brasileira é majoritariamente um prêmio fiscal, não um prêmio de inflação. Juros reais de ~7% nas NTN-B longas remuneram a incerteza sobre a sustentabilidade da dívida rumo ao pico de 88,6% do PIB em 2032.
Fonte · Sigma Research Desk · bandas de probabilidade calibradas, cenário-base: Prêmio fiscal persiste.
Curto versus longo.
Na ponta curta, a Selic alta domina. Na ponta longa, o prêmio fiscal e a incerteza eleitoral elevam as taxas. Quanto maior a desconfiança fiscal, mais inclinada e volátil fica a curva, penalizando prefixados longos.
Os números.
| Indicador | Realizado / Atual | Consenso 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|
| PIB real (var. anual) | 3,4% (2024) / ~2,3% (2025) | 1,9% (Focus) · 2,3% (Fazenda) | IBGE/Focus |
| IPCA acum. 12m | 4,72% | ~5,1% (acima do teto) | IBGE/Focus |
| Selic | 14,25% | 13,50% (terminal Focus) | BCB/Copom |
| Desemprego (PNAD) | ~6,2% | ~6,5% | IBGE |
| Resultado primário (gov. central) | Déficit ~R$ 72 bi | ~0% do PIB (meta) | STN |
| DBGG (% do PIB) | 78,7% (dez/25) | 82,4% · pico 88,6% em 2032 | STN/IFI |
| Balança comercial | Superávit | US$ 70-90 bi | MDIC/Fazenda |
| USD/BRL | ~5,15 | 5,30 (Focus) | BCB/B3 |
| Ibovespa | ~168 mil pts | - | B3 |
Juros reais de ~7% são atraentes para quem carrega NTN-B até o vencimento, mas a marcação a mercado é volátil: a ponta longa é refém do humor fiscal.
Como posicionar na curva.
Preferimos a parte intermediária da curva e NTN-B de prazo médio: capturam juro real alto com menos volatilidade fiscal que os vértices longos. Prefixados longos só com convicção de desinflação e âncora fiscal.
A curva em três cenários.
O que a mesa faz com isso.
- 01Capturar juro real de ~7% via NTN-B de prazo intermediário, com foco em carrego.
- 02Evitar prefixados longos sem convicção de âncora fiscal.
- 03Tratar a inclinação da curva como termômetro do risco fiscal.
- 04Usar a ponta curta (Selic) como caixa remunerado de baixa volatilidade.
- 05Monitorar leilões do Tesouro e demanda por duração como sinal de apetite.
IBGE / SIDRA (PIB, PNAD Contínua, IPCA); Banco Central do Brasil / SGS e Boletim Focus; Tesouro Nacional / Tesouro Transparente; IPEAData e Instituição Fiscal Independente (IFI); Ministério da Fazenda (projeções macrofiscais 2026); B3 (Índice Bovespa e fluxo estrangeiro); Agência Brasil (divulgações do Boletim Focus, abr-mai 2026). Estimativas e bandas de probabilidade do Sigma Research Desk, revisadas a cada fechamento. Distribuição institucional. Este material não constitui recomendação de investimento individual.