O crescimento brasileiro nos próximos 12 meses depende de três variáveis: a velocidade do ciclo de cortes da Selic, o tom da política fiscal num ano eleitoral e os termos de troca. Nosso cenário-base coloca o PIB em ~1,9% em 2026 e ~2,0% em 2027, mas a dispersão em torno desse número é ampla.
As bifurcações.
A tese: a dispersão do crescimento a 12 meses é dominada por dois eventos, o ritmo do afrouxamento monetário e a dinâmica fiscal pré- e pós-eleitoral. O resultado eleitoral em si importa menos para o PIB de curto prazo do que a credibilidade fiscal que o vencedor sinalizar para 2027.
Fonte · Sigma Research Desk · bandas de probabilidade calibradas, cenário-base: Pouso ordenado.
O que move os cenários.
Gatilho de alta: inflação cede mais rápido, BC acelera cortes e o investimento reage. Gatilho de baixa: fiscal frouxo mantém juros altos, ou choque externo derruba commodities. A eleição de outubro de 2026 é o ponto de inflexão das expectativas para 2027.
| Indicador | Realizado / Atual | Consenso 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|
| PIB real (var. anual) | 3,4% (2024) / ~2,3% (2025) | 1,9% (Focus) · 2,3% (Fazenda) | IBGE/Focus |
| IPCA acum. 12m | 4,72% | ~5,1% (acima do teto) | IBGE/Focus |
| Selic | 14,25% | 13,50% (terminal Focus) | BCB/Copom |
| Desemprego (PNAD) | ~6,2% | ~6,5% | IBGE |
| Resultado primário (gov. central) | Déficit ~R$ 72 bi | ~0% do PIB (meta) | STN |
| DBGG (% do PIB) | 78,7% (dez/25) | 82,4% · pico 88,6% em 2032 | STN/IFI |
| Balança comercial | Superávit | US$ 70-90 bi | MDIC/Fazenda |
| USD/BRL | ~5,15 | 5,30 (Focus) | BCB/B3 |
| Ibovespa | ~168 mil pts | - | B3 |
Bull, base e bear.
Como posicionar.
A assimetria de risco-retorno favorece preferência por qualidade e proteção: o cenário-base é benévolo, mas a cauda bear (dominância fiscal) tem impacto desproporcional sobre juros longos e câmbio. Carrego em renda fixa pós-fixada segue atraente enquanto a Selic estiver alta.
Os sinais a acompanhar.
Acompanhar: trajetória do IPCA de serviços, ritmo dos cortes do Copom, resultado primário mensal versus meta do arcabouço, pesquisas eleitorais e termos de troca. Qualquer um desses pode mover o cenário do base para as caudas.
O que a mesa faz com isso.
- 01Adotar o cenário-base de ~1,9% para 2026, com dispersão ampla e cauda bear relevante.
- 02Privilegiar carrego pós-fixado enquanto a Selic estiver acima de 13%.
- 03Tratar a eleição como evento de expectativa para 2027, não de PIB de curto prazo.
- 04Comprar proteção contra a cauda de dominância fiscal (juros longos, câmbio).
- 05Reavaliar o cenário a cada divulgação de primário e de IPCA de serviços.
IBGE / SIDRA (PIB, PNAD Contínua, IPCA); Banco Central do Brasil / SGS e Boletim Focus; Tesouro Nacional / Tesouro Transparente; IPEAData e Instituição Fiscal Independente (IFI); Ministério da Fazenda (projeções macrofiscais 2026); B3 (Índice Bovespa e fluxo estrangeiro); Agência Brasil (divulgações do Boletim Focus, abr-mai 2026). Estimativas e bandas de probabilidade do Sigma Research Desk, revisadas a cada fechamento. Distribuição institucional. Este material não constitui recomendação de investimento individual.