A estrutura a termo portuguesa reflete a transformação fiscal do país: a OT de 10 anos ronda 3,5%, com spread comprimido ante o Bund alemão, em alguns momentos abaixo do espanhol. A dívida em queda para 87,8% do PIB e os ratings com perspectiva positiva reduziram o prêmio de risco soberano, num contraste marcante com a crise de 2011-2012.
O que a curva preça.
A tese: a curva portuguesa preça credibilidade fiscal recuperada. O spread baixo ante o core europeu é a recompensa da dívida em queda e da disciplina, transformando Portugal de risco em referência de convergência.
Fonte · Sigma Research Desk · bandas de probabilidade calibradas, cenário-base: Carrego de convergência.
De periférico a convergente.
O spread das OT ante a Alemanha encolheu de forma estrutural, refletindo a melhoria do rating e a queda da dívida. Em momentos, Portugal chegou a negociar abaixo de Espanha, sinal de uma reclassificação de risco pelo mercado.
Os números.
| Indicador | Realizado / Atual | Consenso / Projeção 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|
| PIB real (var. anual) | ~1,8% (OCDE) | 1,6-2,2% (consenso) | INE/OCDE |
| CPI Portugal (12m) | ~2,7% | ~3,0% (2026) | INE |
| CPI zona do euro | 3,2% (mai/26) | acima da meta de 2% | Eurostat |
| Taxa de depósito (BCE) | 2,25% | alta de 25 pb em jun/26 | BCE |
| Desemprego | ~6,5% | estável | INE |
| Resultado orçamentário | perto do equilíbrio | ~0% do PIB | CFP |
| Dívida pública (% PIB) | 89,6% (2025) | 87,8% (2026) | Banco de Portugal |
| OT 10 anos | ~3,5% | spread baixo vs core | Euronext |
| EUR/USD | ~1,15 | dólar forte | BCE |
| PSI | ~9.046 pts | - | Euronext Lisboa |
OT a ~3,5% com spread baixo são atraentes: oferecem carrego da zona do euro com risco de crédito decrescente. A marcação segue o Bund, mas o prêmio específico encolhe.
Como posicionar na curva.
Preferimos OT de prazo médio: capturam carrego com risco de crédito em melhora. A convergência do spread já ocorreu em boa parte, mas a tendência de melhoria fiscal ainda sustenta o crédito português.
A curva em três cenários.
O que a mesa faz com isso.
- 01Capturar carrego via OT de prazo médio com risco de crédito em melhora.
- 02Tratar o spread baixo como recompensa da disciplina fiscal.
- 03Reconhecer que a maior parte da convergência já ocorreu.
- 04Acompanhar ratings e dívida como suporte do crédito português.
- 05Monitorar o risco sistêmico da zona do euro como cauda.
Instituto Nacional de Estatística (INE) - PIB, CPI e emprego; Banco de Portugal - contas externas e dívida; Eurostat - inflação e comparações da zona do euro; Banco Central Europeu (BCE) - taxas de juro e política monetária; Euronext Lisboa - PSI e mercado acionário; Conselho de Finanças Públicas (CFP) - projeções fiscais; Moody's, S&P e Fitch - ratings soberanos. Estimativas e bandas de probabilidade do Sigma Research Desk, revisadas a cada fechamento. Distribuição institucional. Este material não constitui recomendação de investimento individual.