As commodities são o elo entre o Brasil e o ciclo global. O superávit comercial depende de soja, milho e minério de ferro (~US$ 95-105/ton), enquanto o petróleo Brent (perto de US$ 78 após o cessar-fogo no Oriente Médio) afeta Petrobras, inflação e arrecadação. Petrobras e Vale somam cerca de um quarto do Ibovespa.
O canal global.
A tese: os termos de troca são o principal transmissor do ciclo global para o Brasil. Preços de commodities elevados sustentam câmbio, arrecadação e exportadoras; uma queda atinge simultaneamente fiscal, externo e bolsa.
Fonte · Sigma Research Desk · bandas de probabilidade calibradas, cenário-base: Preços firmes.
Os pilares do superávit.
Soja, milho e minério de ferro sustentam o superávit comercial. A demanda chinesa é o driver dominante: cerca de um terço das exportações brasileiras vai para a China, concentrando o risco de termos de troca em um único parceiro.
Os números.
| Indicador | Realizado / Atual | Consenso 2026 | Fonte |
|---|---|---|---|
| PIB real (var. anual) | 3,4% (2024) / ~2,3% (2025) | 1,9% (Focus) · 2,3% (Fazenda) | IBGE/Focus |
| IPCA acum. 12m | 4,72% | ~5,1% (acima do teto) | IBGE/Focus |
| Selic | 14,25% | 13,50% (terminal Focus) | BCB/Copom |
| Desemprego (PNAD) | ~6,2% | ~6,5% | IBGE |
| Resultado primário (gov. central) | Déficit ~R$ 72 bi | ~0% do PIB (meta) | STN |
| DBGG (% do PIB) | 78,7% (dez/25) | 82,4% · pico 88,6% em 2032 | STN/IFI |
| Balança comercial | Superávit | US$ 70-90 bi | MDIC/Fazenda |
| USD/BRL | ~5,15 | 5,30 (Focus) | BCB/B3 |
| Ibovespa | ~168 mil pts | - | B3 |
Petrobras e Vale são ~25% do Ibovespa: a sensibilidade do índice ao petróleo e ao minério é o canal mais frágil em qualquer desaceleração global.
O que isso significa.
Para o investidor, commodities são hedge e risco ao mesmo tempo: sustentam o real e a bolsa em ciclos de alta, mas concentram o downside em um cenário de desaceleração chinesa. A diversificação de parceiros comerciais é a variável estrutural a observar.
Os termos de troca em três cenários.
O que a mesa faz com isso.
- 01Sobreponderar exportadoras de commodities como hedge de termos de troca.
- 02Tratar a concentração em Petrobras e Vale como risco do Ibovespa.
- 03Monitorar a demanda chinesa como driver dominante do superávit.
- 04Usar preços de minério e Brent como indicadores antecedentes de câmbio e fiscal.
- 05Acompanhar a diversificação de parceiros comerciais como variável estrutural.
IBGE / SIDRA (PIB, PNAD Contínua, IPCA); Banco Central do Brasil / SGS e Boletim Focus; Tesouro Nacional / Tesouro Transparente; IPEAData e Instituição Fiscal Independente (IFI); Ministério da Fazenda (projeções macrofiscais 2026); B3 (Índice Bovespa e fluxo estrangeiro); Agência Brasil (divulgações do Boletim Focus, abr-mai 2026). Estimativas e bandas de probabilidade do Sigma Research Desk, revisadas a cada fechamento. Distribuição institucional. Este material não constitui recomendação de investimento individual.